Veículos Investidores russos vieram ao
Brasil em busca de fornecedores de peças para a linha do Uruguai
O russo Niva finalmente volta ao Brasil
Marli
Olmos,
De São Paulo
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Foto: Rogério
Assis/Fotosite/Valor |
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Sazhin:
de Moscou para Montevidéu para cuidar da operação no Mercosul |
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O Niva, o jipe da marca russa
A pitoresca operação para resgatar o veículo que invadiu o
Brasil logo depois da abertura do mercado, no início do anos 90, é a forma que
os russos encontraram para também aproveitar os benefícios do Mercosul.
No dia 29 de dezembro, a Rusia Automotriz, que já tem
outros acordos com a
A montadora que abrigará a produção do jipe é a
O vice-presidente da Rusia Automotriz, Alexander Sazhin,
passou pelo Brasil na semana passada em busca de fornecedores de peças. Antes
de embarcar de volta a Moscou, o executivo disse ao Valor que 60% dos
componentes do Niva que será fabricado no Uruguai serão importados da Rússia. O
restante vai ser comprado no Mercosul. O Brasil é grande candidato a fornecer
as autopeças do veículo porque estão aqui as maiores empresas de componentes automotivos.
"Precisamos de pneus, rodas, vidros e bancos",
diz Sazhin, que está em vias de mudança para Montevideu para cuidar da nova
operação russa no Mercosul. O motor do veículo também sairá da região. Segundo
ele, está praticamente fechada a compra de motor 1.6 a diesel da Argentina,
porque esse modelo já foi homologado pela Avtovaz, montadora formada por 50% de
capital do governo russo e o restante de investidores que aplicam na bolsa de
valores.
A empresa também procura uma companhia que a ajude na distribuição
dos veículos no Brasil. Sazhin calcula que o mercado brasileiro absorverá
metade dos 10 mil veículos que deverão ser produzidos anualmente no Uruguai.
Para a Argentina - um mercado no qual os russos continuam
apostando - poderão ir 2 mil veículos por ano assim que a demanda se
normalizar. O restante será vendido nos demais mercados da América do Sul.
Sazhin não revela os preços do Niva, embora seja esse o
principal fator do sucesso ou do fracasso da volta do modelo ao Brasil. Ele
garante, porém, que será um veículo de baixo custo, voltado principalmente para
as regiões sem asfalto ou rodovias em más condições.
Apostando que também vai atrair a atenção dos jovens que
gostam da lama, Sazhin diz que o Niva poderá ser oferecido com motor a
gasolina. O motor para esta versão pode sair do Brasil.
Ele também promete que desta vez o Niva não será vendido
apenas nas cores vermelha ou branca, como aconteceu na primeira leva da
importação. Naquele tempo, a Avtovaz passava por uma transição de empresa
predominantemente estatal. "Faremos os veículos na cor que o consumidor
quiser", garante.
O presidente da Rusia Automotriz, Viktor Zharov, também
passou pelo Brasil e visitou o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes Automotivos
(Sindipeças). Zharov prefere não aparecer publicamente. Mas a presença dos
russos difere das tantas tentativas da Lada de deslanchar no Brasil.
Na primeira fase de importação, a idéia de vender carros
rústicos e baratos foi derrubada pelo aumento das alíquotas do Imposto de
Importação. "É inviável trazermos esse veículo da Rússia", destaca
Sazhin.
Depois disso, uma empresa instalada no Panamá tentou
distribuir o veículo no mercado brasileiro. Conseguiu enviar apenas 16 unidades
há dois anos. A última tentativa veio de três empresários brasileiros que
tentaram captar incentivos do governo para instalar uma linha de montagem no
Espírito Santo.