Jeep chega aos 60


Um herói da Segunda Guerra acaba de completar 60 anos: é o Jeep, que começou a ser fabricado em série pela Willys-Overland no dia 18 de novembro de 1941. Depois de mostrar bravura no front, o revolucionário modelo morou no campo, foi copiado e ainda gera descendentes. Hoje, o Jeep é o companheiro de gente da cidade que se aventura por trilhas nos finais de semana.

A história começa em 1938, antes de Hitler invadir a Polônia e virar o mundo de pernas pro ar. A pequena fábrica American Bantam fez o protótipo de um utilitário que seria usado por quartéis na Pensilvânia.

Dois anos depois, o exército dos EUA abriu uma concorrência para a fabricação de veículos militares leves, com tração 4x4 e capacidade para levar 250 quilos. A Bantam requentou seu protótipo e, em 49 dias, apresentou o projeto GPV, assinado pelo engenheiro Karl Probst.

Meses depois, a Willys e a Ford mostraram suas propostas, todas seguindo as especificações pedidas pelo exército. A pequena Bantam foi atropelada (e copiada) pelas concorrentes mais ricas.

— A história oficial diz que a Bantam não seria capaz de produzir veículos em massa e, por isso, a Willys ganhou a concorrência — diz o músico João Barone, fundador do Clube de Veículos Militares Antigos do Rio de Janeiro.

O fato é que a Willys-Overland foi a primeira a pôr o modelo na linha de montagem, antes mesmo de os Estados Unidos entrarem na guerra. O veículo recebia a denominação MB, mas logo ficaria conhecido como Jeep.

Três versões para o batizado

Há quem diga que o nome vem de General Purpose (serviços gerais), com as iniciais G (dji) P (pi). Outros lembram do homônimo cachorrinho mágico do Popeye.

— Jeep era também uma gíria de caserna, usada para qualquer tipo de cacareco do exército — explica Barone.

Um mês depois do início da produção em larga escala, os japoneses bombardearam Pearl Harbor e os EUA partiram para o revide. Era preciso aumentar a produção e a Ford foi autorizada a fabricar o Jeep Willys enquanto durassem as batalhas, com a denominação GPW.

A Ford deu uma contribuição valiosa ao estilo: criou a grade de metal prensado, que substituiu a de vergalhões soldados, feita pela Willys. Todos os Jeep passaram a usar a grade prensada, mais barata e fácil de fabricar.

Na guerra, o carrinho se destacou pela valentia, transportando oficiais e desempenhando diversas tarefas:

— Os Jeep eram submetidos a grandes esforços. Às vezes juntavam três ou quatro para puxar um canhão morro acima — conta o mecânico Carlos Jacob, que serviu na FEB, fazendo manutenção de veículos.

Logo ao fim da guerra, a Willys fez uma versão do Jeep para uso civil. Nascia o primeiro CJ ( Civilian Jeep ), ainda com motor de quatro cilindros. No Brasil, a venda do modelo importado era subsidiada para os agricultores.

Em 1954, a própria Willys-Overland começou a montar o Jeep (versão CJ-3B) no Brasil. No fim de 1956, a empresa passou a fabricar o modelo CJ-5, com motor de seis cilindros e linhas mais arredondadas. Em 1967, a Ford comprou a Willys no Brasil, mantendo a produção até 1983. Nessa época começavam a surgir os jipe clubes no país e encarar trilhas passou a ser uma diversão.

Nos EUA, a Willys foi incorporada à Kaiser, que passou para a AMC, que foi vendida à Chrysler. Hoje é a DaimlerChrysler (com capital alemão, por ironia histórica) que mantém a marca Jeep. No último Salão de Tóquio, a montadora mostrou o Willys2, um protótipo futurista que ainda guarda o DNA do guerreiro de 1941. (Jason Vogel)



 


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