Mito ou Verdade



Confira hábitos incorretos que sobrevivem graças à convivência de carros novos com uma frota envelhecida.

Por José Augusto Amorim
Retirado da Folha de São Paulo de 02/06/2002, encarte "Veículos"


Todos, sejam leigos ou mecânicos, sempre têm um conselho infalível para melhorar o desempenho ou aumentar a vida útil do automóvel. Os mitos automobilísticos nascem, em grande parte, da convivência de uma frota de mais de dez anos com carros modernos, sintonizados com a tecnologia presente no exterior.

Quem acredita, por exemplo, que "dar um gás" logo depois que tirou o veículo zero-quilômetro da concessionária vai aumentar seu rendimento pode conseguir exatamente o contrário. "Quanto mais suave o ajuste das peças do motor, melhor", orienta Fábio Cazarotti, gerente de operações da mecânica Midas Autocenter.

Também há os mitos que sobrevivem ao tempo. Na época em que os automóveis usavam vidro temperado, era comum as pessoas colocarem a mão para impedir que ele estilhaçasse caso fosse atingido por granizo "Isso nunca teve fundamento", afirma Ademar Ohde, gerente de desenvolvimento e qualidade da Pilkington.

A estudante Alissa Prince, 20, conta que, ao enfrentar uma tempestade, lembrou-se do velho costume da mãe e colocou os dedos no pára-brisa. "Foi puro instinto". Uma das melhores fontes para corrigir esses vícios geralmente fica esquecida no porta-luvas do veículo: o manual do proprietário, uma leitura obrigatória..


- Saiba o que faz parte das "crenças automobilísticas"


Mito

Em Parte

Verdade

Estacionar com a roda encostada na calçada impede o furto
A posição da roda não impede que um ladrão quebre a trava do volante. Além disso, o ombro do pneu pode ser danificado.

Tanque cheio diminui o consumo, principalmente em viagens
Com tanque cheio, o que diminui é evaporação. Não que ela seja tão grande a ponto de interferir no consumo. Mas andar com o tanque vazio traz outro incoveniente: partículas que normalmente ficam diluídas no combustível podem ser bombeadas para o motor, entupindo os bicos injetores.

É preciso fazer o rodízio dos pneus traseiros e dianteiros
O objetivo do rodízio é igualar o desgaste dos pneus. "O ideal é que cada pneu, durante sua vida útil, passe por todas as posições do veículo", diz José Batista Gusmão, diretor de assuntos corporativos da Bridgestone Firestone. Em veículos com tração dianteira, os pneus da frente tendem a se desgastar mais rápido que os traseiros.

Amaciar o carro na estrada deixa o motor mais nervoso
Amaciar o motor é recomendado pelo manual do proprietário, mas é preciso ter suavidade. Antes dos 500 quilômetros, não se deve andar acima dos 100 km/h nem acelerar bruscamente. "O sistema não vem com as peças ajustadas", justifica Fábio Cazarotti, gerente de operações da Midas Autocenter. Além do motor, freios e câmbio precisam do ajuste inicial.

Carregar o celular no acendedor de cigarros descarrega a bateria
Isso pode acontecer apenas se o carro estiver desligado. "Quando o motor está funcionando, a energia vem do alternador", explica Nilton Roberto Ceolato, engenheiro de aplicações e desenvolvimento da Delphi. Quanto mais a bateria do celular estiver descarregada mais energia será consumida.

Gasolina aditivada faz o motor render mais
A gasolina aditivada limpa e assim mantém todo o sistema de alimentação, da bomba até os bicos injetores. "O volume ideal de gasolina chega ao motor, e o carro roda em condições ideais de funcionamento", diz Gilberto Miralles Pose, chefe de desenvolvimento e qualidade de combustíveis da Shell.

Colocar os dedos no vidro durante uma chuva de granizo impede que ele estilhace
Não há nada que impeça que um vidro estilhace. Mas dificilmente o granizo quebra um pára-brisa, segundo Ademar Ohde, gerente de desenvolvimento e qualidade da Pilkington.

Marcha engatada significa que o carro não desce se estiver estacionado em ladeiras
Uma marcha engrenada ajuda o sistema de freio de estacionamento. Mas apenas o câmbio engatado não tem força suficiente para segurar o carro.

Apoiar o pé na embreagem prejudica o sistema
Dirigir com o pé apoiado provoca desgaste que comprometem a vida útil da embreagem.

Andar "na banguela" (com a marcha desengatada) economiza combustível
Hoje em dia, não é preciso mais andar "na banguela" para economizar combustível. Veículos com injeção eletrônica contam com o recurso "cut-off", que corta a alimentação de combustível quando o motorista pára de acelerar. Segundo a General Motors, em caminhões e ônibus a diesel sem injeção eletrônica, também não há consumo de combustível. Além disso, não há a ajuda do freio motor, o que prejudica a segurança.

Em descidas, não há problemas se o motorista sair em segunda marcha
Sempre se deve sair em primeira marcha. Engatar a marcha depois que o carro já estiver em movimento danifica o câmbio e a embreagem.

É melhor segurar o carro na embreagem para que ele não volte
O correto é usar o freio sempre. Forçar a embreagem causa desgaste prematuro do disco, do platô e do rolamento.

Se o motorista trocar a marcha rapidamente, o motor não fica barulhento
Trocar a marcha precocemente aumenta o consumo de combustível e perde o total aproveitamento do torque (força) do motor. O manual do proprietário indica o melhor ponto para que a troca seja feita.






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