Enviado por: Alexandre Villain - Goiania/GO

Desmatamento no vovô - desabafo

Existem coisas que só um Niva e um piloto barbeiro podem fazer...

Episódio do dia: Jardinagem no Vovô
Bom, tudo começou ontem, quando depois de quase 3 meses sem ao menos abrir o Niva (doravante denominado Kursk), decidi tentar ligá-lo... Detalhe: o Kursk fica sempre na casa de meu avô (looooooonge daqui de casa), pois moro em apartamento e não há vaga pra ele por aqui... Que ingenuidade, nem sinal de partida... Nada de carga na bateria... "Ainda bem que tenho um cabo no porta malas do UNO, vou dar carga de um para o outro..." - pensei...

Fui até o UNO, e todo alegrinho peguei o cabo e fui até o Niva. Ao puxar a alavanca que destranca o capô ouvi: "CLECK". A alavanca ficou bamba, o capô não abriu, logo concluí: "O cabo de aço rompeu, assim como já ouvi e li em alguns relatos de niveiros..." Assim como ouvi alguns falando, tentei "pescar" o cabo com cuidado pela entrada de ar no capô, mas como este cabo passa por um tubo rígido comecei a ficar com medo de danificar o carro e simplesmente parei, decidi esperar algumas dicas via internet. 24 horas depois (e umas 30 dicas depois, valeu mesmo galera do Camaradas do Niva e Jipenet-GO) voltei à casa do meu avô e tentei puxar o cabo por trás do painel, dar um jeitinho com tudo quanto é tipo de chave, tentei por baixo, lado, frente etc... Foi tanta posição que parecia mais o Kama Sutra dos Nivas...

Já tava de saco cheio. Peguei um arame de aço e com muita dificuldade fiz um gancho com ele. Enganchei a ferramenta tosca no tubo por onde passa o cabo de aço, subi no quebra-mato, segurei com um pano pra não machucar (ainda mais) as mãos, segurei firme e... clanc! creck! pow! Parecia seriado antigo do Batman! O tubo foi quebrando, quebrando até que o cabo apareceu e mais uns clancs e crecks depois o mais musical ruído de todos: o da trava soltando! iiiihuuuu!!! Fiquei feliz da vida 90% dos problemas resolvidos... (foi o que pensei!)

O lance é que a garagem onde guardo o niva é no final de uma rampa bem inclinadinha (só fica plano onde o carro fica estacionado) de mais ou menos uns 20 metros (vai do portão passa por uma garagem, um jardim e outra garagem até quase o fundo da casa) e é para apenas uma vaga, e o Kursk entrou de frente. Conclusão: a bateria estava lá no fundo da garagem! Queria dar a partida no Kursk. Parei o UNO bem atrás do Kursk, mas o cabo não alcançava de uma bateria até a outra.

Tentei várias coisas, nesta ordem:

1- coloquei a bateria do kursk ligada com a outra no UNO e deixei funcionando um tempão... Voltei ela pro Kursk mas não foi carga o suficiente pra dar partida... Só pra testar tentei os faróis e eles acenderam...

2- Tentei dar partida no Niva com a bateria do UNO. Ele deu sinal de vida mas dava uns nhemnhemnhem e parava... fiquei com medo de acabar sem bateria nenhuma e voltei cada bateria para o seu devido lugar...

Quando então veio a brilhante idéia: "Ah, é descida mesmo, vou tentar fazer pegar no tranco de ré, já fiz isso antes..."

Conhece essa frase né Léo Manes?

Tirei o UNO de trás do Niva, coloquei na garagem do meio, dei uma limpada nos vidros pra poder enxergar alguma coisa fora do carro, porta aberta, um pé pronto pra freiar, o outro dando embalo pra trás, entrei no carro, commeçou a descida, tento uma vez, não pegou, novamente, nada, meti o pé no freio!!! Freio de mão? Nunca vi um Niva com um funcionando!! O do pé? O freio é a hidrovácuo, e como o Kursk não pegou tchanananam!!! Pedal enrurecido, pisei o que deu, passei pela primeira garagem, chegando no jardim olhei pra trás tinha o porta, pra direita o muro, pra esquerda o jardim e umas jaboticabeiras... no desespero decidi: "Prefiro as Jabuticabeiraaaaassss!!"

Taquei o carro pra direita... Parecia seriado do Batman novamente:

Clanc! creck! pow! De repente o Kursk parou! Olhei pra frente e vi o retrovisor direito pendurado num galho... Meu avô, coitado... Quase que empacota com o susto! Ainda bem que o coração do bom velhinho é dos fortes!

A parte boa é que consegui chegar com o UNO de frente pro Kursk, dei carga na bateria, desmonta carburador pra destravar a borboleta da esqueda, joga uma gasosa nele, e brum brum brum o bichão funcionou...

Saí do meio do eminente desmatamento, parei na rampa, calcei um pneu com o estepe, e lavei o Kursk enquanto me recuperava do susto...

Contabilidade do dia:

Kursk: nem um arranhão, a não ser o retrovisor-tarzan que já foi parafusado de volta...
Gastos com jardineiro: meu avô que me desculpe, fica pro mês que vem!

Frases do dia:
Eu: "Ah vô tava na hora de tirar o mato"
Meu avô: "Agora que estava chegando a época das jabuticabas..."

[]s desabafados,
Alexandre Villain
Niva 91 - Kursk




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